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Acidente em Capitólio/MG desperta discussão sobre passeio de barco até embaixo ou próximo das quedas nas Cataratas do Iguaçu

As rochas que formam o cânion das Cataratas do Iguaçu podem desabar?

Acidente em Capitólio/MG desperta discussão sobre passeio de barco até embaixo ou próximo das quedas nas Cataratas do Iguaçu
CRÉDITOS; Alexandre Soto
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Após o incidente ocorrido na cidade de Capitólio (MG), onde lanchas com turistas foram atingidas pelo desmoronamento perpendicular de uma rocha no cânion formado pela represa de Furnas, algumas pessoas – que provavelmente desconhecem a origem geológica, a morfologia e a configuração das quedas que juntas formam as Cataratas do Iguaçu – passaram a cogitar que esse mesmo tipo de incidente ocorrido em Capitólio, poderia vir a ocorrer também nos cânions que formam as Cataratas do Iguaçu.

Embora, visualmente, existam muitas semelhanças entre os dois cânions, essas “semelhanças” ficam restritas apenas ao visual, pois a formação de ambas se difere totalmente, e essa diferença de formação faz toda diferença quando falamos da segurança entre os dois passeios.

Em Capitólio, as rochas que formam os cânions surgiram em torno de 1,2 bilhão de anos atrás e são basicamente formadas por arenito, que sofreu uma série de alterações químicas ao longo do tempo e, entre 600 milhões e 680 milhões de anos atrás, passou por um evento de metamorfose conhecido como “deformação brasiliana”, que o transformou em quartzito, uma rocha naturalmente fraturada, onde o desmoronamento ocorre por processo natural e os desmoronamentos já ocorriam antes do incidente e vão continuar ocorrendo.

Em Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina, a formação das Cataratas é resultado de um processo iniciado há 130 milhões de anos, quando o grande continente “Pangea” começou a se dividir, formando os continentes americanos, que antes, eram ligados à África pelo grande deserto de Botucatu.

A ruptura continental fez emergir uma quantidade gigantesca de vulcões, que injetaram lava sobre sobre uma superfície que hoje representa a região do oeste do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, um trecho do Mato Grosso do Sul e porções de Argentina, Paraguai e Uruguai. Toda essa superfície representa uma área de aproximadamente 1.200.000 km², chegando a ter 1.500 metros de espessura, com superposição de mais de 50 camadas de derrame de lava.

Por conta disso, é possível afirmar que os cânions que formam as Cataratas são compostos basicamente por três degraus de derrames de lava de basalto:

Porção superior
Extensiva presença de estruturas de fraturamento na rocha. Quando se formou, os gases da lava subiram, formando bolhas e espaços vazios na rocha. Como está mais exposta à atmosfera, fica mais avermelhada pela oxidação de minerais.

Porção central
Apresenta rochas mais compactas, cujo nome técnico é basalto maciço. Isto ocorreu por conta de seu resfriamento, mais lento que as demais rochas e, com este tipo de solidificação, se apresenta em rochas de colunas verticais.

Porção basal
Parte mais baixa, tem contato direto com a superfície de fluxo. Resfriou-se, portanto, de maneira mais rápida e apresenta um intenso fraturamento rochoso em forma horizontal. Quem faz o passeio Macuco Safári consegue ver no embarque para a lancha.

A forma das Cataratas em degraus é consequência da estrutura dos derrames de basalto citados acima, um tipo de rocha dura e menos suscetível a fissuras e desabamentos.

As rochas que formam o cânion das Cataratas do Iguaçu podem desabar?
Como dito, nas Cataratas do Iguaçu são rochas basálticas de origem vulcânica. Extremamente dura já que em média 30% da composição é minério de ferro, motivo da cor vermelha da nossa terra, cor de ferrugem. Além de ferro, existe até titânio na sua composição. É uma das rochas mais duras e resistentes no planeta. Tanto que a erosão causada pelas águas é de apenas 0.5 a 1.0 cm por ano.

O ferro ajuda até mesmo a criar um certo magnetismo entre as pedras, que mesmo em períodos de grande vazão, não ocorre movimentação delas. Fissuras e rachaduras são muito mais raros de acontecer, já que as rochas não são permeáveis como o arenito-quartzo. 

36 anos de operação
O passeio Macuco Safari começou a funcionar em 1986, e nesse período, mais de 2 milhões de brasileiros e estrangeiros já fizeram esse passeio. Durante essas mais de três décadas de operação, alguns acidentes já foram registrados – quase todos na primeira década de operação – e envolveram a queda de turistas na água, todos resgatados com vida e no máximo com ferimentos leves. Em novembro de 1999, um grave acidente que envolveu dois barcos – um operado pelo lado argentino e outro operado pelo lado brasileiro – acabou resultando na morte de sete pessoas, seis turistas estrangeiros e o piloto do barco.

De acordo com testemunhas, houve um choque entre o barco inflável que subia o cânion do rio Iguaçu com o piloto e 22 passageiros e o bote, com dez pessoas, que incluía o piloto do barco e os seis estrangeiros, e que fazia o trajeto inverso.

Perto do primeiro salto das cataratas, onde o rio é estreito, os dois botes se aproximaram. Ao tentar se afastar de algumas pedras, o barco maior acabou batendo no outro e passou por cima dele. Com o choque, o bote menor virou e todos os seus ocupantes caíram na água. As sete vítimas ficaram presas sob a embarcação menor e acabaram morrendo afogadas.

Segundo entrevista dada à época pelo tenente Gilmar Soares Ribeiro, da Capitania Fluvial do Rio Paraná, responsável pela investigação do acidente, a empresa responsável pelo passeio Macuco Safari obedecia todas as normas de segurança.

“Os coletes salva-vidas eram utilizados por todos os passageiros, e os pilotos dos barcos estavam devidamente habilitados.” afirmou Ribeiro.

De lá para cá, diversas normas de segurança e navegação foram implantadas e são fiscalizadas pela Capitania Fluvial do Rio Paraná, órgão subordinado à Marinha do Brasil, responsável pela fiscalização das normas de segurança das embarcações.

Nenhum grande incidente foi registrado no passeio desde então.

FONTE/CRÉDITOS: ClickFoz
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