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Alto índice de contaminação e frigoríficos íncluem regional de Toledo no decreto estadual

Para secretário estadual de Saúde, frigoríficos da região podem ser focos de Covid-19.

Alto índice de contaminação e frigoríficos íncluem regional de Toledo no decreto estadual
FOTO: Rodrigo Felix Leal
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Na tarde desta terça-feira (30/07), o governador Carlos Massa Ratinho Junior se pronunciou, através de uma live transmitida a partir do GGI – Gabinete de Gestão de Informações –, em Curitiba, a respeito do Decreto Estadual nº 4317, que entra em vigor no dia 1º.

O documento traz medidas rígidas que o Governo do Estado pretende adotar para tentar conter o avanço do contágio do novo coronavírus no Paraná e terá efeito pelos próximos 14 dias. Junto com o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, o chefe do Executivo fez uma análise da situação em que o Paraná se encontra ante a pandemia de Covid-19.

Por que o decreto foi instituído?

Os dois gestores esclareceram que os casos confirmados da doença no Estado deixam o Paraná atrás de outras Unidades da Federação e abaixo da média nacional, se considerada a proporção utilizada como parâmetro, que é o registro de casos a cada 100 mil habitantes (baseando-se nos dados apresentados até o dia 27 de junho, a média paranaense era de 179 casos contra a média no Brasil, que chegou a 622 casos naquela data).

Segundo o comandante da pasta da Saúde, os problemas mais preocupantes e que foram responsáveis pela adoção das novas medidas, seriam a velocidade impressionante com a qual a curva de crescimento do contágio aumentou nos últimos 15 dias e a falta das condições necessárias para oferecer o tratamento aos pacientes mais graves. Sobre esse último quesito, foram enfatizados dois complicadores: a falta de profissionais intensivistas (especializados em UTI), que ocorre não só no Paraná, mas em todo o País, e a escassez de insumos e medicamentos utilizados em procedimentos como a entubação (durante o pronunciamento foi revelado que no último sábado o Paraná teve que “pegar emprestado” com outros entes da Federação 50 ampolas de um determinado medicamento e 100 ampolas de outro).

Segundo Ratinho Jr, a falta de insumos ocorre no Brasil e no exterior, pois tais recursos estão acabando no mundo e o consumo deles no Paraná aumentou 500% nos últimos dias. Quanto ao crescimento da curva de contágio, foi observado que ele ocorre em todas as Regionais de Saúde, mas o aumento expressivo está ligado diretamente à sete unidades, que juntas somam 75% dos casos da doença no Estado. Das 22 Regionais de Saúdes existentes no Paraná, sete contém 3/4 dos casos, entre elas três localizadas na região Oeste: a 9ª Regional de Saúde, de Foz do Iguaçu, a 10ª Regional, sediada em Cascavel, e a 20ª Regional, de Toledo.

O plano do governo é atuar de maneira consistente para diminuir o que foi batizado como “Índice Paraná”. O “Índice Paraná” é o coeficiente obtido a partir de três indicadores: a taxa de mortalidade provocada pela Covid-19, a taxa de incidência da doença e a taxa de ocupação de leitos. Em cima desses três indicadores é que foram tomadas as decisões contidas no decreto.

As macrorregiões onde foram identificados os maiores índices de contágio são a Oeste e a Noroeste. Por isso, a área de abrangência das restrições que o governo pretende impor, como fechamento de estabelecimentos e suspensão de atividades não essenciais, atinge as Regionais de Saúde de ToledoCascavelFoz do IguaçuCornélio ProcópioCianorteLondrina, além de Curitiba e Região Metropolitana.

Problemas na região

Algo que chamou muito a atenção na explanação feita por Beto Preto, certamente não foi a inclusão da Região Metropolitana entre os alvos da normativa, pois em um grande centro urbano, que concentra milhões de moradores, é bem mais difícil controlar as aglomerações.

O que os expectadores mais atentos perceberam na fala do secretário foi algo que ele não deixou explícito, mas que pode ser entendido como uma preocupação latente do governo paranaense quanto a um dos setores produtivos da região Oeste. Em suas palavras, ele explicou que há “situações diferentes no Paraná todo, principalmente na transmissão, no contágio. No interior do Estado, sobretudo no Oeste e no Noroeste, temos essa situação ligada ao contágio pelas atividades em clusters, atividades econômicas fechadas. Em ambientes fechados. E se tiver umidade, isso só piora”.

Beto Preto não falou abertamente, mas deixou nas entrelinhas um sinal de que os dados dos quais o governo tem conhecimento demonstram que a disseminação do novo coronavírus ocorre em maior escala em algumas cidades, que em comum possuem grandes frigoríficos. Não que seja essa a causa da disparada de casos, mas pode ser um fator que contribua. (Assita no final da matéria o vídeo em que aparece essa fala do secretário)

Outro indicativo que demonstra que o governo paranaense pode estar preocupado com os frigoríficos é a menção por escrito no decreto da mesma palavra utilizada pelo secretário de Saúde: clusters. No texto, seu significado é apresentado como ‘foco de doença', logo nas disposições do documento, onde lemos “Considerando o aumento dos focos de infecção da doença (clusters) regionais ligados ao processo de trabalho de algumas atividades econômicas...”.

Mais adiante o termo volta a aparecer no Artigo 13 do ato administrativo, assim descrito:

“Art. 13. O Estado do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, poderá editar normativas específicas para regulamentar as atividades econômicas nas quais surjam foco de infecção da doença (clusters).”

É certo que não podemos fazer julgamentos acerca de nenhuma das atividades econômicas, pois a responsabilidade pela propagação do coronavírus não está no trabalho em si, seja ele qual for, na indústria, no comércio ou na prestação de serviços. Também não recai sobre os trabalhadores, que uma vez adoecidos, se tornam vítimas, e não culpados.

Seguramente, os gestores públicos estão acompanhando com cautela as indústrias que empregam milhares de colaboradores em ‘ambientes fechados e úmidos’, como mencionou Beto Preto, e que estão instaladas em cidades que aparecem na lista das atingidas pelo decreto.

Em Cianorte, as atividades do frigorífico Avenorte foram suspensas por quatorze dias por uma decisão da Justiça do Trabalho, tomada no dia 22 de junho, depois que 193 trabalhadores do abatedouro tiveram diagnóstico positivo para a Covid-19 (o que representa 62% dos casos de contaminação na cidade).

Em Cascavel, o Ministério Público do Trabalho pediu no início de junho a interdição da Coopavel e a suspensão por 14 dias de suas atividades, após 118 trabalhadores do frigorífico terem contraído a doença.

Em Toledo, o Ministério Público do Trabalho também tem acompanhado de perto a situação verificada na cidade, onde casos de infecção por coronavírus já foram confirmados entre funcionários da BRF e do frigorífico Bolson. A BRF adotou medidas de segurança, como a instalação de câmeras termográficas, que medem a temperatura das pessoas na entrada da Unidade para checar se há sintomas febris entre os empregados. A Companhia também realizou há poucos dias a testagem em massa entre seus colaboradores. Contudo, o resultado não foi divulgado, nem pela empresa e nem pelas autoridades sanitárias que fazem o controle da Saúde no Município.

Em Toledo

Diversos esforços têm sido feitos em Toledo para conter o avanço da pandemia, mas lamentavelmente o número casos confirmados aumenta a cada dia.

A suspensão de atividades, o fechamento do comércio, trabalhos de orientação e fiscalização, a implementação do toque de recolher e outras ações, demonstram os esforços feitos pela Prefeitura, pelo COE – Centro de Operações Especiais – e seus parceiros para conter a disseminação do vírus. Apesar disso, o contágio tem avançado.

Em sua última decisão, o prefeito Lucio de Marchi flexibilizou as medidas adotadas pelo Executivo e permitiu a reabertura do comércio. Porém, horas depois o governador anunciou medidas opostas, solicitando que os prefeitos da região o atendam no cumprimento do Decreto nº 4942.

A princípio, sem que haja uma intervenção justificável do Ministério Público, os prefeitos têm autonomia sobre suas definições e escolhas. Eles não estão subordinados a decisões dos governadores, mas Ratinho Junior espera contar com apoio na região e por isso conversou com cada prefeito e com o presidente da AMOP - Associação dos Municípios do Oeste do Paraná.

Por enquanto, o que está prevalecendo em Toledo é a decisão da reabertura do comércio e do retorno de algumas atividades. Somente na quarta-feira (1º de julho), dia em que passa a vigorar o decreto estadual, saberemos se o prefeito irá manter sua decisão ou se fará uma reavalização.

O momento é delicado e qualquer que seja o posicionamento da Prefeitura, será apoiado por uma parcela da população e criticado por outra. Independente do ponto de vista (favorável ou contrário) que cada um tem, os moradores da cidade precisam cooperar com todas as ações do enfrentamento a pandemia, concordando ou não com o prefeito, discordando ou não do governador.

Clique aqui para ler na íntegra o Decreto do Governo Estadual.

Clique no vídeo abaixo e assita o trecho em que o secretário estadual de Saúde faz menção a Toledo e a região Oeste, falando das atividades onde estariam os focos da Covid-19.

FONTE/CRÉDITOS: Pig Notícias
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