A palma da mão pode virar uma espécie de "documento" para quem cruza a Ponte Internacional da Amizade. A partir desta quinta-feira (1º), a Receita Federal começa a testar em Foz do Iguaçu uma tecnologia de biometria para identificar viajantes durante a passagem pela fronteira entre Brasil e Paraguai.
Mas calma: as regras para entrar no Brasil não mudaram. Cotas de isenção, declaração de mercadorias e demais obrigações continuam as mesmas. O que está em teste é uma nova maneira de registrar e analisar o fluxo de pessoas.
Afinal, como vai funcionar?
A tecnologia utiliza características da palma da mão para autenticar o viajante. O reconhecimento ocorre em poucos segundos e não exige contato físico com o equipamento.
Na prática, a passagem poderá ser registrada automaticamente por meio da biometria. A ideia é que essas informações ajudem a Receita Federal a entender melhor o fluxo pela fronteira e direcionar a fiscalização para situações consideradas de maior risco.
Ou seja: em vez de aumentar o controle sobre todo mundo, a proposta é usar tecnologia para tornar a fiscalização mais direcionada.

Vai diminuir as filas?
Essa é uma das perguntas que o projeto pretende responder.
Entre os resultados esperados estão uma travessia mais rápida e previsível e uma melhor organização do fluxo de viajantes. A Receita, porém, ainda não afirma que a tecnologia efetivamente reduzirá as filas, isso será avaliado durante os testes.
E há bastante espaço para testar: o projeto-piloto ficará em funcionamento durante todo o mês de outubro.
E os dados da palma da mão?
Como envolve biometria, a proteção das informações também faz parte da avaliação.
Segundo a Receita Federal, o tratamento dos dados deverá seguir a legislação de proteção de dados pessoais, com mecanismos de segurança, controle de acesso, rastreabilidade e auditoria.
Durante o projeto-piloto serão analisados não apenas o funcionamento da tecnologia, mas também aspectos operacionais, jurídicos e relacionados à proteção dos dados.
É só um teste, por enquanto
A iniciativa conta com participação do Itaipu Parquetec, por meio do convênio Muralha Inteligente, que atuará na validação técnica das empresas e tecnologias utilizadas.
Durante outubro, a Receita vai acompanhar os resultados para identificar problemas, possíveis ajustes e os efeitos da ferramenta na rotina da fronteira.
Somente depois dessa avaliação serão tomadas decisões sobre continuar, ampliar ou não a utilização da biometria.
Por enquanto, portanto, a palma da mão ainda não substituiu documentos na fronteira. Mas será colocada à prova em um dos pontos de maior circulação entre Brasil e Paraguai.


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