O Ministério Público do Paraná denunciou 333 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa de atuação nacional que mantinha atividades comandadas a partir de presídios. As denúncias são resultado da Operação Panóptico, uma das maiores ações recentes contra o crime organizado no Paraná.
Ao todo, foram apresentadas 72 denúncias criminais à Justiça. O trabalho foi dividido entre os dez núcleos regionais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, incluindo a unidade de Foz do Iguaçu.
Segundo o Ministério Público, entre os denunciados estão integrantes da alta cúpula da organização criminosa, inclusive um dos principais líderes do grupo no Paraná. Outros investigados teriam funções específicas dentro da estrutura da facção.
Megaoperação teve ações em Foz
A Operação Panóptico foi deflagrada em junho e teve ações no Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Na ocasião, foram cumpridos 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão, totalizando 559 ordens judiciais. No Paraná, Foz do Iguaçu esteve entre os 34 municípios que receberam diligências.
A dimensão da atuação dentro do sistema prisional chamou a atenção dos investigadores. Dos mandados expedidos, 176 ordens de prisão e 92 buscas foram cumpridas em estabelecimentos prisionais, contra pessoas que já estavam encarceradas.
Segundo as investigações, mesmo presas, pessoas ligadas à organização mantinham participação na estrutura criminosa.
Cerca de mil policiais mobilizados
A operação reuniu cerca de mil policiais, distribuídos em 204 equipes. Participaram integrantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica, além do Ministério Público.
O objetivo foi atingir diferentes níveis da estrutura da organização, interromper atividades criminosas e reunir novas provas sobre a atuação do grupo dentro e fora dos presídios.
As investigações apontam uma organização considerada ultraviolenta e com alcance nacional, formada por integrantes que exerciam diferentes funções, desde posições de liderança até atividades territoriais, logísticas e financeiras.
Do que os 333 são acusados
Os investigados foram denunciados por crimes relacionados à participação e ao fortalecimento de organização criminosa.
Entre as acusações está o chamado favorecimento ao domínio social estruturado, previsto na Lei Antifacção, além do crime de integrar organização criminosa.
Com o oferecimento das 72 denúncias, caberá agora ao Judiciário analisar cada processo e decidir sobre o prosseguimento das acusações. Os denunciados terão direito à defesa durante a tramitação das ações.

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