A história do mecânico Renato Jesus Pinto, de 55 anos, expõe um desafio que vai além de um caso individual. Após passar mais de 20 dias acamado em uma oficina desativada no Centro de Cuiabá, ele finalmente foi encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) no último dia 05 de junho, depois que seu quadro de saúde se agravou e mobilizou diferentes órgãos públicos.
Com mais de 230 quilos, trombose diagnosticada e dificuldades severas de locomoção, Renato dependia diariamente da solidariedade de vizinhos e amigos para se alimentar, tomar água e lidar com necessidades básicas. Enquanto isso, as dores aumentavam e, consequentemente, sua condição se tornava ainda mais delicada.
“A gente veio aqui na quarta-feira antes do feriado, nós vimos a situação e a gente já tinha encaminhado para saúde. A parte da assistência social a gente vinha fazendo. Porém, a situação dele se agravou nos últimos 20, 30 dias. Antes disso ele estava sendo assistido pelo CRAS”, afirmou a secretária Hélida Vilela.
Conforme informações da administração municipal, Renato já havia recebido alta anteriormente após um diagnóstico de fascite plantar e mantinha acompanhamento relacionado à trombose. Entretanto, a falta de mobilidade trouxe novas complicações, incluindo ferimentos provocados pelo longo período sem conseguir sair da cama.
Relatos revelam dificuldade de acesso ao tratamento
Renato conta que os problemas começaram quando passou mal ao retornar do trabalho. Desde então, buscou atendimento em diferentes unidades de saúde de Cuiabá e Várzea Grande. Ainda assim, relata que não encontrou uma estrutura capaz de atender suas necessidades.
“Tudo começou num dia que eu tava vindo do serviço e fiquei ruim, entendeu? Não consegui entrar para dentro de casa para trocar de roupa, nada disso. Lá na UPA do Cristo Rei, me deixaram três dias de plantão porque eu tava mal vestido e não tava cheirando legal”, afirmou o mecânico.
Enquanto aguardava uma solução, ele permaneceu em um cômodo de pouco mais de quatro metros quadrados cedido por um amigo. Nesse período, moradores da região organizaram uma rede de apoio para garantir alimentação e assistência básica.
“Hoje ele está com mais de 230 quilos e não consegue se locomover nem com a muleta. […] A gente ajuda como pode, levando comida, mas ele precisa de atendimento e de um local adequado para fazer tratamento”, disse o vizinho Danilo Amorim.
Após chegar ao HMC, Renato passou por avaliação médica e exames complementares. Conforme a equipe de saúde, os profissionais também analisam possíveis complicações intestinais relatadas pelo paciente, fator que ajudará a definir as próximas etapas do tratamento.
O caso chama atenção para uma realidade frequentemente invisível: pacientes com obesidade severa enfrentam obstáculos extras para acessar consultas, transporte especializado e estruturas hospitalares adequadas. Enquanto isso, o tempo costuma atuar contra quem já convive com limitações físicas e doenças associadas.
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