Durou apenas dois dias o projeto do presidente Luis Lacalle Pou de transformar em pomba da paz a águia de bronze com uma suástica que adornava a popa do encouraçado nazista Graf Spee, afundado em 1939 na costa do Uruguai.
A peça de dois metros de comprimento e 400 quilos seria destruída e fundida pelo prestigiado escultor Pablo Atchugarry para virar um símbolo de paz e união, conforme o desejo do presidente.
Anunciado na sexta-feira, o plano foi alvo da discórdia nacional e fez Lacalle Pou recuar no domingo, e justificar sua decisão de desistir dele.
“Se alguém quer gerar paz, a primeira coisa é gerar união e claramente isso não a gerou. Ainda mantenho que esta é uma boa ideia, mas cabe a um presidente ouvir e representar.”
O destino da águia nazista proposto pelo presidente foi rejeitado por integrantes de sua coalizão, pela oposição e por historiadores.
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Águia nazista recuperada do encouraçado alemão "Almirante Graf Spee" da segunda guerra mundial exposta em 2006 nas ruas de Montevideu — Foto: MIGUEL ROJO/AFP
A maioria ofereceu argumentos parecidos, contrários à destruição de um objeto incômodo para o governo, mas que representa também o testemunho de um período sombrio da História e de uma das primeiras batalhas da Segunda Guerra.
O encouraçado alemão Graf Spee ostentava a águia com a suástica quando foi atacado por três navios da Marinha britânica, há 83 anos, na Batalha do Rio da Prata. O navio sofreu danos irreparáveis e acabou afundado pelo capitão Hans Langsdorff, que se suicidou para não ser feito prisioneiro.
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