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Sexta-feira, 25 de Setembro 2026
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Primeira onda de calor do El Niño poderá atingir níveis perigosos à saúde e à vida

Termômetros podem alcançar os 45°C

Primeira onda de calor do El Niño poderá atingir níveis perigosos à saúde e à vida
METSUL
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A MetSul Meteorologia alerta que a primeira e poderosa onda de calor do El Niño no Brasil afetará vários estados com máximas acima de 40ºC neste fim de setembro e com máximas em alguns pontos que podem ficar entre 43ºC e 45ºC. Trata-se de um episódio de calor excessivo e extremo que oferece risco à saúde e à vida.

Uma bolha de calor vai se instalar inicialmente entre o Nordeste da Argentina, Paraguai e o Centro-Oeste do Brasil neste fim de semana com calor excessivo. Máximas de até 45ºC ou mais são esperadas no Nordeste argentino e em parte do território paraguaio. Na sequência, a bolha de calor deve avançar mais para Leste e deve afetar duramente o Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil com marcas extremas de calor em grande número de cidades no começo da semana.

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Vários estados brasileiros devem ter temperaturas máximas acima de 40ºC na sequência dos próximos dias, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Piauí, não se afastando calor de 40ºC também no Sul do Maranhão e no Sul do Pará.

O calor tende a ser particularmente intenso entre o interior do estado de São Paulo, o Triângulo Mineiro, Mato Groso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins, onde tendem a ser numerosas as máximas superiores a 40ºC. No interior paulista, em cidades do Oeste e do Norte do estado, os termômetros podem indicar máximas de até 40ºC a 43ºC no domingo, na segunda e na terça. Máximas de 41ºC a 44ºC são possíveis no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins. A possibilidade de a temperatura chegar a 45ºC ou mais em alguns locais não é afastada.

Na cidade de São Paulo, dois dias, em particular, dever ser muito quentes. A segunda-feira pode ter máximas de 32ºC a 34ºC. Já a terça-feira, as máximas podem atingir de 33ºC a 35ºC. Em alguns bairros, pelo efeito da ilha de calor urbano, máximas mais altas podem ocorrer. No Rio de Janeiro, terça e quarta serão os dias mais quentes com marcas acima de 35ºC na quarta.

MASSA DE AR EXCEPCIONALMENTE QUENTE

Esta massa de ar na parte central da América do Sul será excepcionalmente quente. O modelo do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF) chega a indicar temperaturas no nível de 850 hPa de 31ºC no interior de São Paulo. Para que se compreenda, temperatura de 31°C em 850 hPa é um sinal de massa de ar excepcionalmente quente porque o nível de 850 hPa está, em média, a cerca de 1.500 metros de altitude. Neste nível, a temperatura é menos influenciada pelo aquecimento direto da superfície e representa melhor as características da própria massa de ar.

Mapa de calor no SudesteSudeste do Brasil terá temperatura muito acima da média

Valores de 30ºC neste nível da atmosfera são raros de observar. Em situação de calor comum, os valores em 850 hPa costumam ser bem menores, normalmente de 20ºC a 25ºC a 1500 metros de altitude. Quando a isoterma atinge 30°C ou mais trata-se de um indicativo da presença de uma coluna de ar extremamente quente. Modelos numéricos de previsão do tempo chegam a indicar temperatura de 10ºC ou mais acima da média no começo da semana em pontos do Sudeste do Brasil, sobretudo no estado de São Paulo.

CALOR EXCESSIVO NÃO É INCOMUM NESTA ÉPOCA DO ANO

O período de junho a setembro marca o que se denomina da estação seca no Centro do Brasil com os piores dias de calor do ano, afetando o Centro-Oeste e o Sudeste, o que contribui para extremos de temperatura alta que não ocorrem no verão porque a chuva é quase diária. Cuiabá, por exemplo, que é uma cidade conhecida pelo calor, tem na climatologia histórica os seus dias mais quentes em valores extremos justamente no período seco. Goiânia tem temperatura máxima média mensal de 32,7ºC em agosto, 34,0ºC em setembro e 33,2ºC em outubro, mas no verão as média máximas mensais são inferiores com 30,6ºC em dezembro, igual valor em janeiro e 31,0ºC em fevereiro.

Ainda sobre a capital goiana como um exemplo de que o pior do calor não ocorre no verão, mas no fim do inverno e na primavera. De acordo com a estatística 1991-2020, a cidade teve, em média, por ano, 4 dias acima de 35ºC em agosto, 13 em setembro e 9 em outubro, entretanto somente um em média em dezembro, janeiro e fevereiro.

BOLHA DE CALOR

Uma bolha de calor, também chamada de domo ou cúpula de calor (heat dome), ocorre quando uma área de alta pressão permanece sobre uma região por vários dias ou semanas, provocando a descida e compressão do ar. Esse processo aquece a atmosfera e dificulta a entrada de frentes frias, enquanto o céu mais aberto favorece ainda mais o aquecimento do solo.

A bolha de calor atual terá seu centro entre o Paraguai e o Centro-Oeste do Brasil. O fenômeno pode provocar temperaturas muito elevadas e persistentes, além de contribuir para ondas de calor.

Estudos indicam que as mudanças climáticas estão aumentando a intensidade, a duração e a frequência de eventos extremos de calor. Um exemplo marcante ocorreu em 2021, quando uma intensa cúpula de calor atingiu o Oeste da América do Norte e levou o Canadá a registrar seu recorde histórico de temperatura, com 49,6°C em Lytton, na Colúmbia Britânica.

ONDA DE CALOR ATINGIRÁ NÍVEIS PERIGOSOS À SAÚDE E À VIDA

A MetSul Meteorologia adverte que o nível de calor esperado nesta primeira metade do mês em muitas áreas do território brasileiro atingirá patamar extremamente perigoso à saúde e à vida com elevado risco para população vulnerável, como enfermos e idosos. Normalmente, o calor no Brasil é percebido com um evento normal no clima e até celebrado, mas o país não mantém estatísticas sobre mortalidade relacionada à alta temperatura, ao contrário de muito países.

O calor é um causador “silencioso” de mortes, diferentemente do que ocorre com desastres pela chuva. Os poucos levantamentos sobre mortes associadas ao calor no Brasil estão em alguns estudos epidemiológicos em pesquisas da Medicina e não da Meteorologia. O calor extremo é muito mais mortal do que outros desastres naturais, matando em média mais que o dobro de pessoas por ano do que furacões e tornados combinados, de acordo com dados monitorados pelo Serviço Meteorológico Nacional nos Estados Unidos.

FONTE/CRÉDITOS: Com METSUL

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