A morte de um familiar transformou a vida da cantora gospel Gisele Nascimento em assunto de grande repercussão. No último sábado, 17 de outubro, uma discussão familiar na Zona Oeste do Rio de Janeiro terminou com Thiago de Mattos Teixeira morto a tiros. Israel Nascimento Teixeira, de 21 anos, filho da artista, é apontado como autor dos disparos. De acordo com a versão apresentada pela defesa da cantora, o jovem teria reagido ao presenciar uma agressão contra a mãe.
O episódio mobilizou familiares, provocou manifestações nas redes sociais e abriu uma investigação para esclarecer o que aconteceu. Além da morte de Thiago, as autoridades apuram a denúncia de violência contra Gisele e as circunstâncias em que Israel teve acesso à arma utilizada no crime. Embora os parentes sustentem que o rapaz tentou proteger a mãe, a polícia ainda precisa analisar as provas antes de chegar a uma conclusão.
Como começou a confusão familiar
Conforme o advogado Max da Costa, que representa a cantora, Gisele foi à residência da família do ex-marido, o pastor Rogério Gentil, para buscar os filhos e cumprimentar a ex-sogra. Ainda conforme o relato da defesa, Thiago teria chegado ao local e começado a agredir a artista diante de outros familiares.
Nesse momento, Israel teria presenciado a situação e pegado uma arma pertencente ao pai, policial civil aposentado. Em seguida, o jovem teria disparado contra o tio para interromper as agressões. Thiago chegou a receber atendimento médico e seguiu para o Hospital Oeste D’Or, em Campo Grande, mas não resistiu aos ferimentos.
A versão da família também aponta que outras pessoas tentaram intervir na briga. Entretanto, a sequência exata dos acontecimentos ainda depende da apuração policial, que deverá confrontar os depoimentos com os demais elementos reunidos no local.
Família defende o filho da cantora
Após a tragédia, Gisele se manifestou nas redes sociais por meio de uma mensagem de apoio ao filho. A publicação dizia: “Israel, você é o herói da sua mãe”. A frase repercutiu entre os seguidores e reforçou a posição da artista diante da situação.
A filha da cantora, Isabela Nascimento, também saiu em defesa do irmão. Em uma publicação, afirmou: “Quem não presenciou tudo o que aconteceu não tem o direito de opinar ou de falar. Eu vi tudo! O meu irmão só estava defendendo a minha mãe. Eu estou muito mal pelo meu tio. Foi uma fatalidade e uma tragédia, mas foi legítima defesa. Peço que orem por todos nós! Minha mãe foi agredida sim”.
Além disso, Ana Rocha, sobrinha de Gisele, relatou que tentou separar a briga e também teria sofrido agressões. “Vocês não sabem o que estão falando. Ele não só agrediu fisicamente minha tia, mas eu tentando defendê-la. Tentando apartar ele dela, ele foi e me machucou!”, declarou.
A irmã da cantora, Michelle Nascimento, igualmente se manifestou contra a violência doméstica e afirmou que Thiago já teria agredido Gisele em 2009. Segundo Michelle, o episódio anterior teria gerado um boletim de ocorrência.
Marido fala em tentativa de feminicídio
Allan Oliveira, atual marido de Gisele, voltou a abordar o caso publicamente. Em entrevista à coluna de Fábia Oliveira, do Metrópoles, ele afirmou que a cantora teria sofrido uma tentativa de feminicídio durante o confronto. Allan relatou que ela apresentava ferimentos e sustentou que a intervenção de Israel teria impedido um desfecho ainda mais grave.
O marido, porém, não presenciou o início da discussão. Por isso, seu relato sobre a dinâmica do episódio se baseia nas informações que recebeu e no estado em que encontrou a cantora. A alegação de tentativa de feminicídio representa a versão apresentada por Allan, e não uma conclusão oficial das autoridades.
Parentes apresentam versões diferentes
Enquanto familiares de Gisele defendem Israel, Deborah William, ex-cunhada da cantora, publicou críticas à artista e apresentou outra interpretação para o conflito. Ela questionou a presença de Gisele no imóvel da família e lamentou a morte do irmão, além de relatar o impacto da cena sobre os parentes.
As manifestações expuseram o tamanho da ruptura familiar provocada pelo episódio. De um lado, parentes afirmam que Israel agiu para proteger a mãe; de outro, familiares de Thiago expressam indignação com a morte e contestam a maneira como os acontecimentos vêm sendo apresentados.
Diante das versões divergentes, a investigação terá papel fundamental para reconstruir os momentos anteriores aos disparos. Imagens de câmeras de segurança divulgadas pela imprensa também passaram a integrar a repercussão do caso, embora os registros, por si só, não esclareçam todos os detalhes da discussão nem permitam concluir a motivação dos envolvidos.
O que a polícia investiga
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, investiga a morte de Thiago. Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão a sequência dos acontecimentos, a denúncia de agressão contra Gisele, a origem e o acesso à arma e as circunstâncias dos disparos.
A defesa da cantora sustenta que Israel agiu em legítima defesa de terceiros, argumento que dependerá da análise das provas e dos depoimentos. Até que a investigação avance, não cabe tratar essa versão como uma conclusão jurídica definitiva.
Quem é Gisele Nascimento
Aos 43 anos, Gisele construiu uma trajetória na música gospel brasileira. Filha do cantor, arranjador e produtor musical Tuca Nascimento, ela cresceu em uma família ligada à música cristã e integra o Trio Nascimento, ao lado da irmã Michelle e do primo Wilian Nascimento.
A artista também lançou trabalhos como “Minha Herança”, “Transforma-me”, “O Sonho Não Acabou” e “Janelas da Alma”. Além da carreira musical, disputou cargos eletivos em diferentes eleições.
Gisele e Rogério Gentil anunciaram o fim do casamento em junho de 2025, depois de mais de 20 anos juntos. Israel é filho do ex-casal. Atualmente, a cantora é casada com Allan Oliveira, vereador de Seropédica, na Baixada Fluminense.
Agora, além da dor provocada pela morte de Thiago, a família enfrenta a exposição pública e as consequências de um caso que ainda está sob investigação. O principal desafio das autoridades será esclarecer a dinâmica do confronto e determinar, com base nas evidências, as responsabilidades envolvidas.
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