A 1ᵃ Câmara Criminal do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná) negou o pedido da defesa de Luis Felipe Manvailer para o cancelamento da sessão do júri marcada para ocorrer nesta quarta-feira (10). O argumento indeferido é de que haveria imparcialidade na composição do júri e que seria necessário a mudança do local do julgamento, pedido também já negado anteriormente pela Justiça.
Na decisão, o desembargador Paulo Edison de Macedo Pacheco considera "inviável a concessão da ordem liminar". Em relação à segurança, a defesa alega que haveria riscos à realização da sessão plenária devido ao clima de hostilidade na cidade. Contudo, o magistrado afirma que todas as medidas necessárias para a realização do julgamento estão sendo tomadas.
Anteriormente, o juiz titular da 1ᵃ Vara Criminal e Plenário do Tribunal do Júri e diretor do Fórum da Comarca de Guarapuava, Adriano Scussiatto Eyng, já havia se manifestado no mesmo sentido.
O advogado Cláudio Dalledone Júnior disse que a defesa identificou diversas mensagens em redes sociais instigando linchamentos. "Nós estamos tendo várias mensagens em comentários e tudo mais, de alguns instigando para que linchem, para que façam, para que aconteçam e por isso pedimos liminarmente que analisassem o cancelamento do júri e até uma questão de desaforamento. É uma liminar para o Tribunal de Justiça, não pedimos para o juiz em nenhum momento o adiamento do júri", afirmou o advogado.
Um pedido para reforçar o policiamento no local do julgamento também teria sido feito ao juiz, de acordo com a defesa de Manvailer.
O CASO
Luis Felipe Manvailer é acusado de matar a advogada Tatiane Spitzner, em julho de 2018, no prédio onde o casal morava, em Guarapuava. Segundo a denúncia do MP-PR (Ministério Público do Paraná), o réu agrediu a vítima após uma discussão e jogou a vítima da sacada do apartamento.
Ele foi denunciado pelos crimes de feminicídio, com motivo fútil e morte mediante asfixia, além de fraude processual - por ter removido o corpo da vítima do local da queda e limpado vestígios de sangue deixado no elevador. Manvailer foi preso após bater em São Miguel do Iguaçu, a 340 quilômetros de Guarapuava.
