O ex-apresentador que exercia função de gestão na empresa que promove sorteios foi indiciado pela Polícia Civil por estupro, importunação sexual, assédio sexual e extorsão. Outros três homens também foram indiciados por estupro durante as investigações.
A conclusão do inquérito é um novo capítulo da investigação iniciada após denúncias feitas por ex-colaboradoras da empresa. O caso foi conduzido pela Delegacia da Mulher de Cascavel.
Durante a investigação, vítimas e testemunhas foram ouvidas. A Polícia Civil também analisou documentos e outros elementos de informação. Os relatos apontaram possíveis episódios de violência e outras condutas de natureza sexual praticadas sem consentimento.
Parte dos fatos teria ocorrido no ambiente de trabalho e, conforme a investigação, estaria relacionada à posição hierárquica ocupada pelo principal investigado.
Além dele, outros três homens foram indiciados por estupro em concurso de agentes, em razão de fatos identificados durante a apuração. Esses três homens teriam participado conjuntamente de episódios de estupro apurados no inquérito.
A Delegacia da Mulher também investigou denúncias de que colaboradores eram obrigados a repassar parte das comissões recebidas.
Em situações individualizadas, segundo a investigação, as cobranças teriam sido acompanhadas de ameaças relacionadas à permanência no emprego e a possíveis prejuízos profissionais e financeiros.
Esses elementos levaram ao indiciamento do principal investigado também pelo crime de extorsão.
A investigação identificou ainda possíveis irregularidades trabalhistas e situações que podem caracterizar assédio moral. As informações serão encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho.
Com a conclusão do inquérito, os autos serão enviados ao Ministério Público, responsável por analisar os elementos reunidos e decidir sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça.
Investigação teve outro desdobramento
A investigação teve ainda um desdobramento após equipamentos eletrônicos apreendidos durante buscas realizadas em abril serem submetidos à perícia.
A análise do material levou a Polícia Civil a abrir uma nova frente de investigação relacionada a supostos crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), envolvendo produção e compartilhamento de imagens com nudez de crianças.
Nesse outro procedimento, o apresentador conhecido como "Homem do Chapéu", de 54 anos, e uma professora da rede municipal de Céu Azul, de 52 anos, foram presos preventivamente em julho.
Os dois casos tiveram origem relacionada às diligências realizadas durante a investigação, mas apuram fatos e imputações distintas. O acusado foi liberado pela justiça e responde em liberdade.
O que diz a defesa
A defesa de um dos investigados se manifestou sobre o indiciamento e afirmou considerar a medida prematura. Segundo o advogado Ruan Cavalaro, uma perícia no aparelho celular apreendido ainda não teria sido concluída e, na avaliação da defesa, a análise pode apresentar elementos relevantes para o esclarecimento dos fatos.
O advogado também sustenta que a controvérsia teria origem em interesses financeiros e pessoais e afirma que existem elementos que serão apresentados no momento processual adequado. A defesa nega a prática dos crimes atribuídos ao investigado e diz confiar que a inocência será demonstrada no decorrer do processo.
Por fim, a defesa ressaltou que o indiciamento ocorre durante a fase investigativa e não representa condenação.
Situação do investigado
Sobre a situação do ex-apresentador, ele estava preso em razão do processo de Céu Azul. A Justiça concedeu liberdade provisória em agosto e, atualmente, ele está submetido a monitoração eletrônica.
Em julho, o ex-apresentador já havia sido preso durante outra investigação da Polícia Civil envolvendo supostos crimes contra crianças.

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